Cartões Corporativos

Gasto com Cartões Corporativos cresce em 2009, passado o escândalo.

No Portal Transparência é possível conferir como anda o gasto com esses cartões, o que é bem bacana.No gráfico abaixo, temos a evolução dos pagamentos (inclui saques) efetuados.

Para 2002 os dados originais só estão disponíveis a partir de maio; para 2009, até março. Para ambos os anos, os valores foram ajustados linearmente de modo a estimar o valor que seria observado caso o ano cheio (janeiro à dezembro) fosse observado.

Para 2002 os dados originais só estão disponíveis a partir de maio; para 2009, até março. Para ambos os anos, os valores foram ajustados linearmente de modo a estimar o valor que seria observado caso o ano cheio (janeiro à dezembro) fosse observado.

Nota-se que, de fato, houve um aumento muito grande nos gastos com Cartões Coporativos. Serão estes gastos justificados? O que dizer quando o portador de maior gasto em 2009 (até agora) praticamente só sacou dinheiro, com periodicidade quase religiosa, e quase sempre no montante exato de R$ 800, 00 ? 

A burocracia é uma forma de organização na qual o controle é fundamental, e a forma mais tradicional de controle é o por processo (em contraposição ao por resultado). O controle por processo consiste, grosso modo, no estabelecimento anterior de procedimentos que devem necessariamente ser observados. No entanto, normalmente há um descompasso entre os procedimentos que foram estabelecidos e os que deveriam ser adotados para se alcançar um resultado eficiente (minimizando custos, maximizando benefícios). Um exemplo é a Lei de Licitações, que defini um processo de compras lento e que inúmeras vezes chega a ser um entrave para que o setor público faça boas aquisições (por exemplo, a caneta que eu recebi aqui no trabalho já chegou não funcionando).

“Então mudemos os procedimentos de modo a deixá-los iguais aos procedimentos mais eficientes”

Não é tão fácil. O problema é que a eficiência dos procedimentos depende do contexto específico em que ele será realizado. E quem mais tem informações sobre o contexto em que se encontra (de modo a poder escolher o melhor procedimento) é o gestor lá na ponta. Daí a idéia de dar flexibilidade pro camarada. O cartão corporativo foi criado justamente para ser utilizado em contextos para os quais a Lei de Licitação não permite que um bom resultado seja alcançado.

O problema é que ninguém é santo nesta história. Se há maior flexibilidade para gastar o dinheiro adequadamente, também haverá maior flexibilidade para fazê-lo de forma inadequada. O controle socia com certeza poderia ajudar a coibir este tipo de coisa. E percebam que as informações estão disponíveis para o cidadão! Naturalmente, vigiar a administração pública é um bem público, e cada agente tem um puta incentivo para deixar que os outros façam isto por ele. O resultado: o bem não é provido ou é provido em quantidades sub-ótimas.

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