Vestibular made in China

Artigo interessante sobre vestibular na China. O pessoal da revista parece bem surpreso com o nível de dificuldade: por exemplo, a chamada para a notícia na home da Slate diz:

China’s SAT: You can’t even imagine how hard it is

São dois dias de provas, através das quais é cobrado do aluno tudo o que ele aprendeu desde o jardim de infância. O resultado da prova tem o poder de decidir o futuro do aluno.

Eu realmente gostaria de saber até que ponto é tão difícil assim. Vejamos:

São 5,8 milhões de vagas para 10 milhões de candidatos, relação candidato/vaga de 1,72. Não me parece tão alta, alguém sabe quanto que é no Brasil? A relação do curso com menor candidato/vaga na UFMG, o de matemática diurno, foi de 4,6 em 2008.

O fato de ser dois dias de prova não diz muita coisa sem que seja dito quantas horas de prova por dia. Até o ano retrasado o vestibular da UFMG também eram dois dias, só na primeira etapa. O vestibularpara a Escola de Governo da Fundação João Pinheiro eram três dias. E eu nunca achei que isso acrescentasse dificuldade alguma.
Cobrar do aluno tudo que ele viu desde o jardim de infância pode soar bem difícil, mas no fundo não diz muito. Uma das primeiras coisas que eu aprendi na escola foi ler e escrever, e isto é cobrado aqui também.
E quanto ao resultado da prova determinar o seu futuro? Bom, me parece um pouco exagerada esta efirmação, já que lendo o texto percebemos que o indivíduo pode tentar a sorte novamente. Ou seja, é a mesma coisa que temos aqui!

Acredito que o pessoal da revista tenha ficado mais chocado porque nos EUA o processo de entrada nas universidades é bem diferente ao da China, e ao do Brasil. Poderia este artigo ter sido feito a respeito do nosso vestibular?

Apesar dos argumentos que eu utilizei, acho que não. Talvez as duas sociedades, chinesa e brasileira, vejam o estudo de uma maneira completamente diferente. E isto pode fazer com que a cobrança sobre o aluno seja realmente maior lá.

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2 Respostas to “Vestibular made in China”

  1. Flávia Says:

    Poxa, seus argumentos não têm fundamentos… A relação candidato/vaga de 1,72 na China está em relação a todos os cursos ou apenas na disciplina menos concorrida como foi comparada na Brasil???
    Realmente, a diferença é que lá o estudo é valorizado e aqui não. Além disto, tem a cobrança da família. Aqui na maiorida dos casos se seu filho não passar no vestibular…o que se fala? Filho, ano que vem tem de novo… Lá não. Isto é motivo de vergonha para a família. Culturas diferentes…Não podemos comparar!!!

  2. phcastro Says:

    Bom, não acho que eu tenha sido mal fundamentado. De fato, eu peguei apenas o total de candidatos e dividi pelo total de vagas (por que é o dado que o artigo da Slate cita). O resultado dessa conta é uma relação candidato/vaga média (ponderada pela procura). Por ser uma média, podemos dizer que a China há cursos com relações candidato/vaga que são ainda menores, ou seja, o menos concorrido da China certamente é menos concorrido que o menos concorrido do Brasil.

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