Mídia e Qualidade da informação

Entrevista do Estadão com o sociólogo Ignácio Ramonet

Como enfrentar os perigos dos conglomerados de mídias, que podem ameaçar a informação de qualidade?

Os conglomerados de mídia dominam hoje a informação. Sua preocupação básica não é a qualidade da informação. Nem sequer sua veracidade. O que mais lhe interessa é a rentabilidade da empresa. Essa é sua obsessão principal. Por isso, dão absoluta prioridade à informação-espetáculo, à informação-entretenimento. Concebem a notícia como uma variedade da cultura de massas e não como item da formação e educação do cidadão. O que importa é um maior número de pessoas consumindo essa informação-lixo. Porque, hoje em dia, o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes. Essa é a nova equação, que constitui uma regressão copernicana. A população precisa tomar consciência dessa mudança radical. E defender seu direito a ser bem informada, porque a qualidade da informação depende da qualidade da democracia.

Sim, o mercado de informação é bem concentrado. E claro, a melhor função-objetivo que podemos supor que as empresas de comunicação maximizam é o lucro. A principal fonte de receita dessas empresas deve ser, de fato, proveniente de propaganda. Até aqui Ramonet e eu concordamos, exceto talvez pelo fato de que eu não vejo nenhum problema com isso, a priori.

A receita proveniente de propagandas deve ser maior à medida que aumenta o número de telespectadores. Uma empresa de comunicação então deve escolher as informações que divulga no sentido de conseguir mais telespectadores. Ramonet diz que isso faz com que a grande mídia veicule muito lixo na sua programação.

De fato, o diagnóstico que eu faço é que há muito lixo. O meu ponto com esse post é enfatizar que isso ocorre porque o consumidor é soberano. Na verdade, o que as pessoas querem mesmo ver é sensasionalismo, porcaria, etc. O público é composto por um bando de pessoas que estão pouco se lixando  verdadeiramente em entender de economia, política, relações internacionais, etc. A mídia mostra o que as pessoas querem ver. Há sim bons programas na televisão, mas vá lá ver qual é a audiência deles.

Ramonet quer retratar o cidadão como um oprimido, mas na verdade ele em boa medida escolhe o lixo que consome.

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Uma resposta to “Mídia e Qualidade da informação”

  1. Claudio Says:

    Meus caros,
    A coisa mais curiosa deste tipo de análise é o remédio proposto. Para combater uma mídia privada concentrada, nada como um MONOPÓLIO PÚBLICO!!!!! Este ponto, se não fosse trágico, seria hilário. É sempre assim, para nos proteger do grande poder das organizações privadas, devemos aumentar o poder da única organização verdadeiramente monopolista que existe, o Estado. E olha que esta última é a única organização capaz de te roubar, te assassinar, te torturar, quebrar seu sigilo bancário e telefônico, arrebentar sua vida e você não pode fazer absolutamente nada.
    Saudações.

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