Archive for junho \20\UTC 2008

A invenção do próprio valor

sexta-feira, 20 \20\UTC junho \20\UTC 2008

Texto bacana do Pedro Sette relacionado à burocracia. De fato, parece-me que muita gente “inventa” valor no seu serviço, para justificá-lo, provavelmente de forma não proposital. Creio até que todas as pessoas sejam sucetíveis a este fenômeno.

No mercado as pessoas podem até iludir-se mas a competição e a demanda impõe impõe limites fortes a ocorrência e persistência desse fenômeno. A questão é diferente no caso do setor público, cujas organizações podem sobreviver a despeito de valor que criam para a sociedade, dado o fato de serem financiadas de forma coercitiva (impostos) e de fragilidade dos mecanismos de accountability.

Sobre cargos em comissão

terça-feira, 17 \17\UTC junho \17\UTC 2008

Vou começar comentando um proposição muito recorrente em jornais, butecos e outras fontes de informação confiáveis: O Brasil tem cargos comissionados em demasia. Em geral, cargos comissionados são associados ao nepostismo, à patronagem, à politicagem mais rasteira, à ineficiência, etc.

Minha impressão sobre o Estado, ou melhor, sobre o Administração Estadual de Minas Gerais (embora imagino que seja generalizável) é que essa idéia de que cargo em comissão significa picaretagem está bem longe de ser verdade. Não há como negar que existem muitos cargos em comissão que só existem como cabide de emprego, mas eu também observo que as pessoas que mais trabalham no Estado são as que tem cargo comissionado.

E a explicação é simples: se estas pessoas não mostrarem resultado, elas perdem o cargo (e seus adicionais). Um funcionário público, estável, se não fizer nada não tem muito a perder… Não quer dizer que funcionários de carreira estejam todos maximizando seu ócio, claro, mas um dos incentivos postos pela estabilidade é este.

No final das contas, o cargo em comissão pode usar utilizado para o bem e para o mau, de acordo com a vontade de quem faz a nomeação. A vantagem é que permite flexibilidade, cobrança, alinhamento estratégico com os planos do chefe. A desvantagem é que quem nomeia pode não ter as melhores das intenções…

Aproveitando a deixa…

terça-feira, 17 \17\UTC junho \17\UTC 2008

No post abaixo eu peguei um pouco no pé do Kanitz. Talvez eu tenha me excedido, já que a mensagem que ele quis passar independe dessa discussão sobre o mercado. Mas precisava de gastar metade do artigo escrevendo aquelas coisas?

Bom, deixa para lá. Vou aproveitar que ele escreve sobre administração pública e anuncio que vou comentar, neste e nos próximos posts, alguns aspectos da administração pública que na minha opinião são pouco discutidos por aí…

Kanitz, sobre o mercado

terça-feira, 17 \17\UTC junho \17\UTC 2008

Recebi hoje por email este texto do Stephen Kanitz, e gostaria de comentar algumas coisas.

Eu confesso que eu nunca li Adam Smith, mas com base na crítica que é feita eu suponho que o Kanitz também não. Em que medida a “mão invisível” é incompátivel com o trabalho de administradores? O mercado ser capaz de produzir eficientemente bens que os invíduos valorizam não quer dizer que o padeiro não precise produzir pães, que o operário não precise trabalhar e tampouco que o administrador não precise administrar. Na verdade, os bens são produzidos por causa desssas pessoas: o mercado apenas dá os incentivos corretos para que isso aconteça.

Também não li Schumpeter, ou Keynes. Mas afirmar que o crescimento depende do “espírito animal” de empresários é bem diferente de afirmar que o crescimento SÓ depende dos empresários e que os administradores são inúteis.

Claro, posso estar enganado no sentido de que Smith, Schumpeter e Keynes realmente podem ter escrito que administradores são inúteis. Eu só gostaria de uma evidência disto.

E porque seria que a existência de empresas complexas falsearia a Escola de Chicago? Acho que um “chicago boy” simplismente diria que a existência de empresas complexas é apenas uma solução eficiente do mercado para problemas de custos de transação. Pelo menos é a resposta que eu daria.

Só mais uma observação. Kanitz também gosta de defender suas idéias contrapondo-se aos neoliberais, afinal, todo mundo sabe que os neoliberais estão sempre errados; logo ele está certo. Sempre que eu vejo essas coisas eu tenho vontade de invocar a Lei de FHC-Godwin, formulada pelo Philipe!

Geraldas e Avencas

sexta-feira, 13 \13\UTC junho \13\UTC 2008

Se você está em São Paulo neste final de semana, recomendo o espetáculo Geraldas e Avencas. Primeiro porque eu já o assisti aqui em Belo Horizonte e atesto que é muito bacana; segundo porque minha prima faz parte do grupo (hehe). O espetáculo trata sobre padrão de beleza, e como o comportamento de tantas mulheres é orientado por este padrão.

————

Um pequeno adendo.

As pessoas discutem muito como o padrão de beleza vigente gera sofrimento para várias mulheres, mas tem outras questões mais interessantes que muita gente, principalmente as feministas de plantão, não parecem se perguntar:

Como surgem e se modificam os padrões de beleza?

OS padrões de beleza sinalizam algo além da questão estética em si?

Padrões de beleza são inevitáveis?

Os ladrões de BH já não são mais tão legais…

quinta-feira, 12 \12\UTC junho \12\UTC 2008

Ontem alguém entrou na garagem aqui de casa e arrombou meu carro. Só o meu; provavelmente por ser o único carro sem alarme. Eu não devia espalhar isso na internet também, mas tudo bem, poucos lerão isso. E já estou providenciando um alarme.

O incidente me custou um som, tempo e dor de cabeça. A moral da história é que eu nunca mais digo que simpatizo com os ladrões de Belo Horizonte. Antes eles eram mais legais, costumavam me perguntar

este dinheiro vai te fazer falta?

ou então me defendiam de outros marginais menos gentis

se ele disse que não tem dinheiro é porque não tem!

Sim, esses casos já aconteceram. Bons tempos…

E-books deixam o nosso país comendo poeira…

sábado, 07 \07\UTC junho \07\UTC 2008

Krugman:

According to a report in The Times, the buzz at this year’s BookExpo America was all about electronic books. Now, e-books have been the coming, but somehow not yet arrived, thing for a very long time. (There’s an old Brazilian joke: “Brazil is the country of the future — and always will be.” E-books have been like that.) But we may finally have reached the point at which e-books are about to become a widely used alternative to paper and ink.

Os e-books estão se tornando realidade. Já o Brasil…

Ps: Falando em e-book, vou aproveitar para fazer o jabá deste e deste e-book, que contaram com a modesta participação deste blogueiro pé-rapado.

Tem para todo mundo!

sábado, 07 \07\UTC junho \07\UTC 2008

Depois do que a Bolívia fez com o gás natural, do que o Paraguái anunciou que irá fazer com a energia elétrica de Itaipu, agora é a vez da Venezuela se dar bem em cima do Brasil. De alguma maneira, ninguém quer ficar de fora da festa.

Decoreba

sábado, 07 \07\UTC junho \07\UTC 2008

Acho que, genéricamente falando, ninguém discordaria que o que se espera de um aluno é que ele entenda a matéria, e não que ele a decore. Entenda “o que se espera” em termos normativos, e não positivos…

Se isso é verdade, então as provas não deviam cobrar decoreba, e sim estimular o raciocínio do aluno. Certo?

Mais ou menos. Há mais coisas entre o céu e a terra do que esta minha vã filosofia.

O problema maior, na minha opinião, é que uma prova não é intrínsecamente decoreba ou “inteligente”. O que ela é simplismente depende em grande parte de qual é a relação do aluno com a disciplina.

Por exemplo, em uma estrutura de mercado olipolística de Cournot o preço do bem tende ao custo marginal quando o número de firmas tende ao infinito. Em que medida é decoreba cobrar que o aluno demonstre matemáticamente esta relação? Um aluno que entende matemática e micro bem pode conseguir fazê-lo facilmente, enquanto outro que não entende tem que de fato decorar todos os passos da demonstração para conseguir replicá-la em uma prova.

Este pensamento pode ser replicado para qualquer outra matéria. Vamos à sociologia. Um conceito muito importante no pensamento de Durkheim é o de “fato social”.  Um aluno que tem pela frente uma prova sobre Durkheim tem duas opções. Entender o que significa “fato social” ou decorar o que é e ficar repetindo isto igual papagaio.

Muitos alunos reclamam de provas decorebas. Eu mesmo não gosto. O problema é que o que é ou não “decore” é muito subjetivo. Na minhja opinião, a única forma de garantir que uma questão não é ‘decoreba” é cobrar do aluno algo que ele nunca viu na vida. Por exemplo, se o aluno aprendeu o que é um olipólio de Cournot mas nunca viu a demonstração que eu propus acima, aquela questão não é decoreba, mas irá forçar que o aluno pense. Ou, no caso da sociologia de Durkheim, cobrar uma questão que aplique o conceito de fato social e que não foi discutida em sala, ou nos livros, etc. Agora fica a pergunta: será que é isso que os alunos que reclamam de “provas decorebas” querem?

Para onde vão os subsídios?

sexta-feira, 06 \06\UTC junho \06\UTC 2008

O Estado falha até na Suécia, que tem uma capacidade institucional muito maior que a do Brasil. Imagine agora para onde irão todos os subsídios (incentivos fiscais, financiamento a baixo custo, proteção externa) da nossa a ser implementada política industrial.